20 premissas AVANÇADAS para você dominar a jornada da Business Agility

Este artigo foi originalmente publicado na língua inglesa,
na newsletter Business Agility Getting Real, no LinkedIn.

No artigo anterior, 20 premissas BÁSICAS para a Business Agility acontecer na sua empresa, introduzi o racional que existe por trás do modelo Business Agility Getting Real™. Em seu conteúdo, apresentei as premissas básicas de gestão e liderança que utilizamos para construir esse poderoso metamodelo que irá guiá-lo na jornada de desenvolvimento da verdadeira Agilidade de Negócios.

Quando digo verdadeira Agilidade de Negócios é porque, na minha opinião, uma agilidade DE NEGÓCIOS deveria ser sobre negócios, não é verdade? As 20 premissas básicas do modelo servem para estruturar o pensamento do Agile Business Owner e fazer com que ele/ela compreenda como iniciar uma jornada de transformação orientada a negócios. Neste artigo, concluirei o racional do modelo demonstrando as 20 premissas avançadas que servirão de guia para você dominar a jornada de transformação orientada a negócios.

Mas antes, gostaria de recapitular alguns conceitos importantes para você que está lendo meus artigos pela primeira vez.

Da Agilidade Operacional para a de Negócios

Basicamente, o pensamento ágil essencial parte do nível operacional do desenvolvimento de produto, que foca na entrega de valor para o cliente por meio da simplicidade, colaboração, reflexão e melhoria continua da forma como trabalhamos (Heart of Agile, by Alistair Cockburn).

Posteriormente, o pensamento ágil evoluiu para o nível organizacional, expandindo seu impacto para todas as partes interessadas da organização (Make People Awesome). Ele passou a ter como foco a entregar contínua de valor em ambientes complexos, a partir de uma cultura de rápida experimentação e aprendizagem sustentada por um ambiente psicologicamente seguro (Modern Agile, by Joshua Kerievsky).

Atualmente, estamos na era da Agilidade de Negócios (ou Business Agility em inglês), que busca desenvolver novas capacidades organizacionais para viabilizar o crescimento e encantar todas as partes interessadas, até mesmo com um impacto positivo na sociedade. Enquanto Kerievsky propõe o princípio Make People Awesome no contexto da segunda onda da agilidade (Agilidade Organizacional), proponho o princípio Make Business Awesome para a sua terceira onda (Agilidade de Negócios).

Diante disso, idealizamos o modelo Business Agility Getting Real™ como um guia para tornar o negócio incrível por meio de uma transformação organizacional genuinamente orientada a negócios, feita a partir da perspectiva de seus Business Owners. Sua estrutura básica, apresentada no artigo anterior e ilustrada na figura abaixo, tem como base as seguintes premissas essenciais oriundas da gestão empresarial:

  1. Todo indivíduo é influenciado pela cultura organizacional, que é o reflexo direto do modelo de gestão determinado por sua liderança (relação primordial de causa-efeito).
  2. Para se tornar incrível, toda empresa deve encantar seu ecossistema, entregando resultados, práticas e experiências incríveis para todas as partes, e viabilizando a realização pessoal de seus colaboradores (o que queremos).
  3. Negócios incríveis demandam líderes incríveis que atuam como agentes de mudança de todo ecossistema organizacional que transcendem os aspectos internos da organização (porque queremos).
  4. Negócios incríveis demandam uma capacidade incrível de orquestrar seus problemas e endereçar as respectivas soluções nos níveis estratégico, tático (do portfólio) e operacional, acelerando a geração de valor a partir dos três primeiros elementos (como faremos).

A partir desta introdução, vamos retomar o objetivo original deste artigo que é apresentar as premissas avançadas para concluir o modelo Business Agility Getting Real™.

10 Premissas Avançadas para Desenhar a Jornada

As 10 primeiras premissas avançadas do modelo Business Agility Getting Real™ têm como foco o lado direito do diagrama (estratégia e liderança), que está diretamente relacionado com as responsabilidades da alta gestão da empresa.

Elas iniciam expondo a necessidade de uma liderança transformacional, que inspira a mudança e estimula a confiança em todos os membros da equipe (primeiras cinco premissas). Depois, avançam para a necessidade de um pensamento estratégico exponencial, capaz de desafiar a inércia do sistema organizacional vigente (últimas cinco).

As 10 primeiras premissas avançadas confirmam o interesse da alta gestão de tornar o negócio incrível a partir da visão inspiradora dos seus líderes e de estruturar a estratégia de transformação visando a aceleração do crescimento organizacional. Ou seja, são premissas concebidas para garantir o desenho da jornada de transformação orientada a negócios.

LIDERANÇA TRANSFORMACIONAL

  1. O objetivo de toda transformação orientada a negócios deve ser o de “Tornar o Negócio Incrível” (resultados, práticas, experiências e realização pessoal).
  2. A liderança deve inspirar a transformação a partir de um propósito maior que transcende a própria organização (pessoas e sociedade).
  3. O propósito deve despertar um sentimento de identidade e missão em todas as partes do ecossistema organizacional.
  4. A liderança deve confiar na missão de cada indivíduo e também ser confiável perante todas as partes.
  5. Inspiração e confiança são características de uma liderança transformacional.

ESTRATÉGIA EXPONENCIAL

  1. A liderança deve desenhar a transformação organizacional no longo prazo, a partir de um processo de gestão da estratégia focada nos resultados de negócio e de mercado.
  2. A estratégia de negócios e mercado deve refletir as crenças e valores da liderança para acelerar o crescimento organizacional.
  3. É possível acelerar o crescimento organizacional com a utilização de novas tecnologias e a inovação dos mais diferentes aspectos organizacionais.
  4. As crenças e valores podem estimular diferentes estados emocionais em diferentes partes do ecossistema organizacional, acelerando ou retardando a mudança.
  5. A mentalidade de abundância e crescimento associada à inovação e tecnologia é uma característica comum das Organizações Exponenciais que acelera a mudança.

10 Premissas Avançadas para Implementar a Jornada

As próximas 10 premissas avançadas do modelo Business Agility Getting Real™ têm como foco o lado esquerdo do diagrama (operações e portfólio), que está diretamente relacionado com as responsabilidades da gestão média da empresa.

Elas iniciam com a necessidade do pensamento enxuto na gestão do portfólio de produtos e projetos da empresa, e terminam com a necessidade do pensamento ágil na governança de suas operações. Enquanto a primeira foca na antecipação da entrega de valor para todas as partes interessadas, a segunda foca no aprendizado contínuo de novas formas de trabalho a fim de fazer acontecer a transformação da cultura organizacional.

Essas últimas premissas confirmam o interesse da liderança pelo novo modelo de gestão organizacional e guiam o caminho do desenvolvimento profissional da gestão média, responsável pela execução da estratégia. Ou seja, são premissas concebidas para garantir que a implementação da jornada de transformação seja orientada a negócios.

PORTFÓLIO ENXUTO

  1. Os gestores devem implementar a transformação no médio prazo a partir da gestão do portfólio de produtos e projetos estratégicos.
  2. O portfólio de produtos e projetos estratégicos deve garantir o desenvolvimento de novas capacidades organizacionais que viabilizam o crescimento dos negócios.
  3. Desenvolver novas capacidades organizacionais demanda um processo contínuo de experimentação e aprendizagem de negócios.
  4. Um processo contínuo de experimentação e aprendizagem é capaz de produzir novos conhecimentos e habilidades de geração de valor para todas as partes do ecossistema organizacional.
  5. Buscar a perfeição na forma como geramos valor e eliminamos os desperdícios é uma característica comum da mentalidade Enxuta (Lean).

GOVERNANÇA ÁGIL

  1. Os gestores devem sustentar a transformação no curto prazo a partir da gestão das operações de processos e serviços críticos para o negócio.
  2. Os processos e serviços críticos devem garantir a evolução do ambiente e dos comportamentos organizacionais necessários para suportar a escalabilidade do negócio.
  3. A evolução do ambiente e dos comportamentos organizacionais demanda dos indivíduos melhores atitudes, práticas e hábitos, bem como o uso de melhores artefatos.
  4. Potencializamos a melhoria das atitudes, práticas, hábitos e artefatos pela inspeção e adaptação em ciclos curtos de feedback.
  5. Atuar com ciclos curtos de feedback, com a inspeção e adaptação de todos os aspectos da organização, é uma característica comum do Pensamento Ágil.

Agora que já introduzi as novas premissas que farão você dominar a jornada de desenvolvimento da Agilidade de Negócios na sua organização, vou apresentar a versão completa do modelo Business Agility Getting Real™, contemplando todas as 40 premissas (básicas e avançadas) em seus elementos:

Para pensar …

É muito comum ouvirmos nas empresas que a cultura organizacional vigente é a inimiga das iniciativas de transformação organizacional. Sempre que ouço isso, costumo devolver a seguinte pergunta, claro que com um tom irônico:

– Podemos agendar uma reunião com a “Cultura” para que eu possamos entender quais os seus medos, crenças e valores que impedem a evolução organizacional?

Não preciso dizer que a resposta imediata é o silêncio ensurdecedor …
Mas o que vem depois quase sempre é:

– O que você quer é conversar com a alta gestão, certo?
– Sim! Vamos agendar uma reunião com os “donos do negócio” (Business Owners) o mais breve possível.

Tentei deixar claro nesse artigo que não existe evolução dos negócios (Business Agility) sem uma transformação cultural que combina Lean, Ágil e Exponencial (ExO). Da mesma forma que não existe uma transformação cultural sem um estado desejado que inspira a mudança e catalisa a evolução dos modelos liderança e gestão organizacional.

O modelo Business Agility Getting Real™ deixa claro que, para acelerarmos a conquista de resultados de nossas transformações ágil e digital, precisamos partir de um belo e atrativo cenário futuro desejado, definido pela alta gestão da empresa. Afinal, são os verdadeiros Business Owners que devem desejar e viabilizar a evolução de suas próprias organizações.

Não devemos interromper nossas iniciativas Lean-Agile no nível operacional, mas precisamos provocar o pensamento exponencial na alta gestão, estimulando a aceleração do crescimento pelo desenvolvimento de novas capacidades organizacionais.

Por mais que alguns gestores ainda me digam que o papel do Business Owner não é necessário nas organizações, eu respondo dizendo que ele já existe, só que eles ainda não o perceberam, nem foram qualificados para desempenhá-lo de forma efetiva. Afinal de contas, que membro de alta gestão deixou de querer que seus líderes, gestores e, até mesmo, seus colaboradores pensem com a cabeça de donos de negócio?

O modelo Business Agility Getting Real™ estimula o debate nas empresas sobre as relações de causa-efeito entre liderança, gestão, cultura e indivíduos, apontando novos caminhos para o desenvolvimento de competências essenciais que irão viabilizar a transformação organizacional.

No próximo artigo, vou abordar as considerações práticas desse modelo e o papel da liderança no desenvolvimento da Agilidade de Negócios nas empresas, mais especificamente o papel do Agile Business Owner.

Um dos precursores dos Métodos Ágeis (2002) no Brasil, foi pioneiro na sistematização do papel de Business Owner como catalisador da Business Agility nas empresas (modelo apresentado na Agile Conference 2019, Washington, USA). CEO da SURYA Consulting e fundador da ABO Academy, a primeira academia no mundo especializada no desenvolvimento profissional de Agile Business Owners, atua como autor, consultor, mentor, professor e palestrante no nível executivo de grandes empresas. Autor do Guia de Referência do Agile Business Owner e dos modelos Business Agility Getting Real™ e Agile Business Ownership™. É coautor da Agile Extension to the Business Analysis Body of Knowledge (IIBA/Agile Alliance, 2012) e colaborador no Introduction to Product Ownership Analysis (IIBA, 2020). Criador do canal Lean Business Analysis Brazil no YouTube. É professor em diversos programas de MBA na PUCRS.

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