A Importância e o Papel dos Sócios na Governança Ágil

No correto propósito de sempre promover a longevidade e a criação de valor para as empresas, existe o generalizado desafio de conscientizar os acionistas quanto à sua importância e papel na governança de suas organizações. Da mesma forma, é importante conscientizá-los da complexidade, das mudanças e da velocidade exigidas pela Nova Economia Digital, bem como fazer com que esta percepção chegue nos demais membros do sistema de Governança Corporativa.

Antes de mais nada, é importante se ter a noção de que Governança não é sinônimo de Conselho de Administração, mas sim um sistema integrado pelo qual uma empresa é governada e monitorada, visando sua perenidade e valorização. E esta governança é composta de quatro órgãos essenciais: Acionistas, Conselho, Executivos e Órgãos de Controle.

E também é vital perceber que, desses quatro elementos, o mais importante e determinante são os ACIONISTAS, os verdadeiros “donos da empresa” (Business Owners). Esta é uma questão factual, sistêmica, técnica e científica, não uma opinião ou vontade de qualquer uma das partes.

Sistemicamente, são os acionistas que identificam e elegem os conselheiros. Estes, por seu turno, escolhem e contratam a equipe e liderança executiva, aprovam o direcionamento estratégico a ser executivamente seguido e determinam a auditoria externa que será contratada.

É fácil compreender que a qualidade, o desempenho e os resultados de uma empresa decorrem de uma sequência cujo primeiro agente é o acionista. Se dele decorrer uma composição errada ou inadequada do Conselho, todo o resto será automaticamente ruim e o final será trágico. Por outro lado, técnica e cientificamente falando, a vida e a governança de uma empresa dependem (e são baseadas em) de parâmetros e definições internas que cabem exclusivamente aos proprietários.

Para início de conversa, os valores, os princípios, o propósito e os objetivos de mais alto nível são deles, sendo estes o balizamento para a estratégia a ser definida e aprovada pelo Conselho, e consequentes ações táticas que serão implementadas no âmbito executivo. Além disso, cabe aos acionistas definir os parâmetros esperados de retorno sobre o capital, bem como o tipo e o nível aceitável das várias naturezas de risco – financeiro, cambial, mercadológico, etc.

Há quem não goste de ouvir, mas quem manda na empresa é o acionista e, com base nos seus parâmetros, quem depois dita as expectativas da performance é o Conselho e quem manda na execução tática é o executivo. Daí o seu nome: executivo executa, com obrigatória eficiência, eficácia e resultado. Quem não concorda com isso que mude de andar, subindo para o Conselho ou virando acionista, com os desafios, riscos e capital a ele inerentes.

Isto posto, cabe aos sócios das empresas entenderem o enorme desafio que têm pela frente, num dinâmico e disruptivo mundo 4.0. Como sempre, princípios e valores devem ser perenes e imutáveis, mas as outras duas pernas do tripé de sobrevida – capital e operações, com seus procedimentos, processos e hábitos – requerem revisão, flexibilidade, dinâmica, mudanças e velocidade.

Controle acionário, atuação geográfica, localização física e digital, perfil executivo, canal comercial, etc. podem requerer mudanças às vezes radicais e, por esta razão, exigem rapidez na tomada de decisão. Diante disso, a procrastinação na tomada de decisão e a falta de dados e fatos para suportar as suas vontades podem implicar em resultados trágicos nos dias de hoje.

O entendimento, aceitação e prática dessa disrupção veloz é imprescindível para os acionistas diante da necessidade de sobrevivência no dinâmico mundo corporativo atual. Como diz o recente livro ”Metamorfose do Vencedor“, de Marco Juarez Reichert, é Mudar ou Morrer! E se a empresa é familiar, o desafio é duplo, pois é preciso haver essa consciência, vontade e agilidade não apenas por parte do atual acionista, mas também dos seus sucessores de gestão e patrimônio, futuros ocupantes da posição.

Simples assim!

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